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The Daily Miacis

4 patas, muito pêlo e muito amor

Tenho 29 anos e não tenho filhos. Nem nunca pensei muito no assunto do filho que cresce dentro de nós durante 9 meses. (nem gosto de pensar: estudei isso e só de pensar nas mudanças que é para o corpo da mulher arrepio-me e não falo na questão estética, falo na questão biológica mesmo). São opcções.
Contudo eu não considero que não tenho filhos. Só não tenho filhos "convencionais".
Tenho 29 anos e nunca me vi sem um filho de 4 patas. 

26695694_2011677218860694_1067260064_o.jpgNão há nada como o amor de um animal, seja de duas patas e racional, como de 4 patas e irracional. Mesmo quando estive na faculdade não vivi sem animal. Tivemos uma gata chamada Marrie. Embora o nome escolhido para ela, era da gata da Disney, muito delicada e branca, a Marrie era o oposto: uma gata tartaruga que tinha tanto de feieza como de gostosura. Adorava aquela gata. Infelizmente já morreu, mas foi muito feliz no campo: livre era onde ela era feliz.

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Mas já tive um Alfie. Desde que me lembro que tive para aí dois gatos siameses Alfies; tive um Cocker chamado Joe; um cágado chamada Dundee; hamsters russos que não me lembro bem do nome deles porque mataram-se e fiquei traumatizada; um papagaio africano chamado Xico que era viciado em café; uma  cadela rafeirinha muito gorda chamada Xica; uma rotweiller resgatada depois de 3 meses em loja fechado numa jaula chamada Zara; um pastor alemão adoptado aos 5 anos porque o dono foi para a Inglaterra chamado Prince; um gato preto apanhado em pleno cemitério chamado Kiss; um gato cinzento deixado à porta da clinica veterinária com dias de vidas chamado Tom; um pastor alemão tresloucado chamado Nero; um gato goooooooordo laranja apanhado no meio da rua por crianças e que ninguém reclamou chamado Sam; uma gata com um feitio peculiar apanhada por mim no meio da mata, com pouco mais de uma semana chamada Copas; uma yorkie chamada Jennifer Lanosa Devil; uma furão precocemente morta por uma gata chamada Cleo; uma yorkie adoptada chamada Sansa, e um yorkie extremamente preguiçoso chamado Chewie; uma porca da India chamada Miss Piggy que deu à luz a um porquinho da India chamado Capitão Pata Negra. 


Entre muitos outros que posso não estar a referir agora.

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 Tenho amor para todos, posso sofrer por causa disso, mas sofro mais quando os vejo sofrer. Não consigo imaginar o que é um animal só, a sofrer na rua, com fome e frio, depois de saber o que é o conforto de um lar. Sofro quando os ouço a gemer a de dor. Saio de caso e se puder, se passo por algum lado que tenha um doce ou presente, trago para eles. E cá em casa há sempre decisões a contar com eles. Ceia de Natal incluida. 

 

Sou assim e não quero mudar. Faz parte de mim. Posso ter a roupa com pêlos, passava melhor sem ter que limpar mais casa e os acidentes que acontecem como sem o peso na consciência quando não posso ajudar todos. E sem gastar tanto dinheiro é verdade. Mas ia ter um vazio dentro de mim, algo que está aqui, que me aquece, que me dá alegria. Não sei bem explicar como é, nem como começa e acaba, mas sem isso não sou eu. E não é só com estes animais que são fofinhos, com pelinhos, não. Sou assim para quase toda a criação, incluindo invertebrados, como insectos. Durante a minha tese de mestrado todos diziam que eu nesse ano ia fazer nada. Desde Setembro até Julho, quase todos os dias, estava eu, cedo,no laboratório a olhar por uma lupa microscópica para apanhar tardigrados e ovos, contar rotíferos e nemátodes. E ria-me sempre que passava um rotifero bdelloidea, a limpar o fundo do petri como se fosse uma máquina de limpeza de rua. Ficava por vezes derretida a ver um tardigrado a brincar com um pouco de musgo.

 

É um amor incondicional. Já para não falar que são bons para a ansiedade, não só pela questão emocional, mas porque a obrigação que temos para com eles é uma forma de não pensarmos no resto. Tenho que ir colocar o cão lá fora, tenho que limpar o chão, tenho que trocar a gaiola. Grão a grão, e vamos preenchendo a cabeça com isso. 

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Por isso, recomendo-vos um filho de 4 patas. Vão ficar com a casa mudada, e mais suja nalguns casos, mas o coração bem mais cheio.

 

Sinceramente,

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Sou a Sofia Gonçalves. 29 anos. Curiosa sem fim, exploradora de livros, advogada de boa comida, gestora de estados ansioliticos, caçadora de sonhos, escriba escrava da palavras da minha cabeça, pajem dos meus animais.

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