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The Daily Miacis

Desabafo

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Hoje tenho que tirar isto do peito.

 

Tenho mesmo que tirar isto do peito.

 

Nas redes sociais há sempre muita motivação para continuar, há sempre casos de pessoas que mesmo apesar de todos os problemas mostram que é possível continuar. Mas, também há, embora em muita pouca quantidade, os lados maus. Por isso eu gosto muito de ler The Freckled Fox, porque de facto vimos todo o lado mau e a recuperação ainda muito lenta e real dela.

 

Estou num emprego que não gosto (volto a repetir: não pelas pessoas embora o meu problema seja com a atitude de certas e determinadas mas não com a pessoa no global), não me identifico em nada com aquilo, não me indentifico em nada com o que faço durante 8 horas do dia. Esforço-me imenso e falho, falho até porque trabalhar "drogada" por assim dizer e preocupada e esforçada em algo que não gosto, tem o seu custo quer eu queira quer não. Depois de falhar começo a bater na minha cabeça, porque falho porque nem para isto sirvo, porque sou uma fraca, porque odeio a minha vida. E é uma roda, uma bola de neve até já não aguentar as lágrimas. E descambar.

 

Esta semana foi uma semana complicada e tive umas distracções pequenas no trabalho, e fui chamada a atenção mas nada de especial só alertada para o facto. Mas, como diria o meu orientador" não vamos ser perfeitos mas vamos ser perfecionistas"  e eu posso odiar o que faço mas eu se me comprometo a fazer a algo, é para fazer e é para faze lo bem e se tenho de demonstrar resultados a outro não quero falhar, em nada. E esforço, e ajudo os outros sempre que posso, no que sei que posso. Estou constantemente a saltar de lugar e a aprender novas tarefas para ajudar e não me importo porque estamos todos no mesmo barco chamado "empresa" e temos todos que seguir na mesma direcção enquanto estamos nesse mesmo barco então se ajudarmos uns aos outros é melhor.

 

E quando erro, é isto. Descambo e sei que melhores dias virão (se bem que desde a minha adolescência que estou à espera), e por isso crio o meu mundo porque é a minha defesa diária para todas as adversidade com que tenho de lidar porque senão , eu desaparecia. Senão tenho a minha esfera, as minhas obsessões chamem isso,eu desaparecia porque não aguentava com o resto. E sei que há trabalhos piores, sei que podia estar pior, sei que há situações piores, mas...a minha não está boa. Quem está no meu lugar sou eu. E sabem o que me chateia mais? É que levo na cabeça se erro, mas quando faço bem não tenho sequer uma palavra de motivação, não tenho sequer um " ei muito bem feito". É que já nem peço recompensa como todos querem, eu até me contentava com uma palmada nas costas a dizer como se diz a um cão em treino " Good girl".

 

Eu quero mudar, eu quero melhor. Mas não encontro.

 

Hoje é um dia muito, muito não.

Amanhã veremos.

 

Sinceramente,

A Sofia que hoje não está por aqui.

O que eu gosto não são macacos!!!

Olá! Chamo-me Sofia, tenho 28 anos, tirei o mestrado em Ecologia,mas infelizmente não arranjei trabalho na minha área e agora sou técnica de contabilidade, tenho problemas de ansiedade, já fui operada a um neuroma de morton e sofro muito de cólicas. Adoro animais, sempre tive animais na minha vida. Os meus gostos sou variados, gosto muito de artes manuais como bordados, ponto cruz, aguarela, ler, passear, jardinar. Gosto de anime, mangas, livros de fantasia, de jogar RPG e jogos de tabuleiro, e colecciono figuras.

 

Provavelmente se isto fosse uma apresentação nalgum encontro, de certeza absoluta que alguém ia dizer " Com esta idade e gosta de macacos!?".  Não era o ter estudado 5 anos para uma coisa e  não ter arranjado trabalho, não era os problemas de saúde, ou até ter gostos normais (para a escala da sociedade em geral). Não, a problemática estaria no eu gostar de "macacos". É algo com que me debato porque não acho que seja um julgamento justo. Já fiquei mais vezes frustada principalmente no meu local de trabalho uma vez que é onde mais passo horas por dia, mas agora já consigo lidar melhor. Contudo acontece-me em vários locais e não só a mim. Embora a pop culure esteja a ganhar terreno em Portugal, como no Mundo, a verdade é que ainda existe a mentalidade que é coisa de criança e é gasto de tempo e de dinheiro. Que nos podia dar para pior com esta idade. E esta opinião mal formada, não é uma coisa geracional, ou seja, não são as gerações antigas que só acham isso. Gerações iguais à minha ou posteriores, são constituidas por muitas pessoas que opinam esse facto.

 

Pois vou dizer: o que eu gosto não são "macacos"! Aliás, gostava de tentassem experimentar um jogo de tabuleiro como o Armada, em que é preciso ter bastante estratatégia militar, ou o Arkham Horror em que é preciso ter agileza  para conseguir ganhar o jogo, evento raríssimo. Decorar as regras todas, que levam cerca de meia hora para ensinar e outra para conseguir assimilar a maior parte. Gostaria que tentassem ler o "O Senhor dos Anéis" ou a "Guerra dos Mundos" e mesmo " A Guerra dos Tronos". Que vissem o "Grave of the fireflies" esse filme de "desenhos animados" e chegar ao final não ficar com o estômago apertado. 

O facto de parecer "bonecada" não faz de nós infantis e nada inteligentes. De facto seria o contrário. É preciso ter um grau de abstração para conseguir entender a complexidade de várias coisas, como as mensagens por trás das histórias, criar estratégias e planos e conseguir adapta-las às mudanças rápidas. E isso não faz de mim menos competente no trabalho. Eu tenho que passar o dia à frente de um PC, olhar para números, faturar, lidar com clientes, lidar com colegas de trabalho, verificar processos, lidar com pessoal  do banco, e, como senão bastasse isso tudo, tinha que chegar a casa e fazer algo que supostamente é mais normal como ver telenovela e ler revistas? Só porque já não tenho idade para "macacos".

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Sabem o que vos digo? Cresçam e apareçam!

 

Sinceramente,

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Carta da treta da Troika

Proclamação de Raiva

Hoje escrevo um protesto em tom de raiva. Têm sido uns anos merdosos, mas estas últimas semanas têm sido desesperantes. O receber seguido de "não foi seleccionada", ou então o nem receber nada, começa me a criar uma tempestade dentro de mim que não tem solução de acalmar: é raiva, é frustração, é medo, e tudo acaba em tristeza, pura e crua.

Sei que não sou a única, mas sinto me só. Sinto me só nesta luta de conseguir um trabalho, de começar a criar um futuro, ou pelo começar a criar os alicerces para dali começar a construir. Sinto me só, sinto me triste, sinto me raivosa. É triste ver o tempo e o dinheiro gasto numa formação. Eu sei que não é garantido hoje em dia nada, e aprender nunca é tempo perdido,

mas não é ridículo, estarmos num país com imensos formados sem emprego na área, e agora as universidades dão bolsas para ingressar nos cursos que não têm gente, só para não ter de fechar cursos? É que é  completamente ridículo na minha opinião. É triste ter um curso que gosto, tenho prazer, tenho vontade de querer saber mais, e não arranjar nada.  É que para além de ser triste não encontrar, é triste o dinheiro que gasto em cartas enviadas para concursos, as horas perdidas a encontrar anúncios e a responder, é triste o gasóleo gasto em deslocações para entrevistas que na maior parte são entrevistas para "encher chouriço". Já fui a uma entrevista que por questões de politica, rivalidade de câmaras e de apelidos queridos na zona, só estive na entrevista para ser gozada, "porque haveriam de por alguém de Viana quando têm alguém melhor de Ponte de Lima". Mas eu entendo, o senhor estava chateado porque a câmara de Viana recusou fazer a final do Cook Off em Viana porque não considerava nem Ponte de Lima nem Arcos de Viana...

O trabalho é escasso, são quinhentos cães a um osso, e o empregador ainda tem gozo em entrevistar, só para passar tempo, quando na verdade já têm quase o candidato escolhido. Como uma entrevista para uma bolsa que fui, não sei porquê quando eles pelo CV (e fazem a avaliação curricular) vêem o que pretendem, então escolhiam logo em vez de chamar as pessoas, para depois na preferida dar mais um valor pela entrevista. Maior parte das vezes que fui recusada, foi por falta de experiência, quando até na maior parte das vezes até tenho uma boa avaliação curricular. Mas como não tenho experiência "Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye". O que se torna num ciclo vicioso, porque se NINGUÈM ME DER A PORRA DA OPORTUNIDADE, como raio vou puder apresentar me a algum lado com experiência?

Depois vem a questão do tenho formação a mais que nem para lojas me querem, sim acontece isso. Nem para administrativa, nem para o raio que parta. Sim estou triste, e sim sei que há soluções, mas por enquanto era um trabalho no curso que tirei porque tenho gosto, sou boa no que faço e quero aprender mais.

E a raiva que me mete mais, é que quem me rejeita nem sabe o que perde. Não é ser convencida, arrogante nem nada do género, mas sei que não encontrariam tão fácil uma pessoa dedicada, empenhada no trabalho, curiosa e organizada, sempre com a cabeça à frente a planificar, e a pensar como diversificar. O que me provoca mais raiva...

Sim estou triste e não posso baixar os braços. Mas hoje o que me apetecia fazer com os braços era apertar uns pescoços... Se existisse uma guerrilha para vingar este país hoje fazia a promessa de ser o lutador número um para limpar este país de inúteis que nem no passado, nem no presente e nem no futuro (porque muda o logo, mas a acção vai dar sempre à mesma coisa...). Culpo me a mim pelas opções tomada, mas também culpo este país porque não dar soluções viáveis, nem fazer planificação correta.

Aqui fica o desabafo de uma raivosa.

Sinceramente,

Sofia G


BLOGGER
Sou a Sofia Gonçalves. 29 anos. Curiosa sem fim, exploradora de livros, advogada de boa comida, gestora de estados ansioliticos, caçadora de sonhos, escriba escrava da palavras da minha cabeça, pajem dos meus animais.

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