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The Daily Miacis

Bitaite da Sexta #9

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Já não escrevia há muito tempo este post da sexta. E ontem a ver frases no pinterest, tropeçei nesta e penso que se ajusta muito bem ao que se passou nesta semana. Inacreditavelmente, fez me lembrar uma conversa com  meu pai há muitos anos, era eu uma cachopa e ele dizia " Tu acreditas no Inferno?" e eu respondi muito adultamente " Claro, se existe um Céu, obviamente que tem existir o contrário". E num mundo onde existe tanta coisa de mau, pode existir tanta coisa de bom. E se  o incêndio de Pedrogão Grande e zonas arredores, tirou a vida precocemente a muito gente, estragou a vida de outros, mostrou que também existe gente com bom coração, gente pronto a deixar tudo e ajudar, e correntes em Portugal. 

 

Bem haja a todos!

 

E bom fim de semana!

 

Sinceramente,

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As 64 sombras de Portugal

Sr. Presidente,

 

Tirei o curso de biologia, e não arranjei emprego. Não escrevi uma carta como a outra menina para arranjar curso, e talvez falha minha, pois poderia estar a contribuir para um Portugal melhor. Agora estou em casa, a remoer a noticia das 64 mortes que ficaram em Pedrogão Grande por causa da má gestão de ordenamento de território de nosso país, que não é novidade nenhuma há anos. É triste um país, que TODOS OS ANOS, vê o mesmo ciclo acontecer: chega o Verão, chegam os incêndios. Seja um ano seco, seja um ano com muita precipitação a história é mesma, são poucos os dias em que não houve um fogo activo, são poucos os que não têm mão criminosa, são poucos os bombeiros e são poucos os recursos. 

 

Portugal tem tudo para ser um país grande, mas vivemos na sombra dos descobrimentos e vivemos na excelência da nostalgia do passado. Somos um dos países na Europa que mais exporta madeira, e um país que tem uma gestão e ordenamento de território nula. Vá, não vou ser má temos alguma gestão: os nossos técnicos florestais administram o território para plantar eucaliptos e pinhais, para madeira, para vender a Portuceis e afins. Quando temos técnicos que dizem, e estou citar porque eu estava lá " Em vez de ter um terreno vazio que sofrerá erosão é melhor plantar mimosas do que não ter nada" ao qual respondemos  "mas nós temos arbutos autótones que fazem o mesmo trabalho" e a resposta é "sim mas trabalhar com a mimosa é mais fácil", é óbvio que a gestão e eficiência é nula. 

 

É triste terem morrido 64 pessoas ( e isto é a contagem actual), porque uma culpa que é sempre dos mesmos.Isto não é falar de boca cheia, não é falar pela boca fora. A culpa é dos nossos governos, porque não existe esforço da vossa parte e compactuam com as empresas madeireiras (não nos vamos esquecer da lei da liberalização da plantação do eucalipto). Enquanto continuarem com promessas vazias no final de todos os Verões e não passarem para o terreno com pessoas com formação e ética, o nosso Portugal vai ser um degradé de cinzento, quando deviamos ter uma responsabilidade ainda maior pela biodiversidade do nosso país pois estamos num dos hotspots mundiais de biodiversidade. Vergonha alheia, é o que tenho. Vergonha alheia e vergonha minha, porque embora a culpa seja do Governo porque não administra o que é vosso, nem fiscaliza corretamente o resto, todos somos cúmplices neste crime. Somos cúmplices porque somos aqueles que não se esforça pelas gerações futuras exigindo aos superiores e aos iguais que cumpram o melhor para o futuro. Somos aqueles que não vão reciclar porque os caixotes não estão na minha rua ou estão na outra ponta da rua. Somos aqueles que vão a um evento e não podem aguentar a garrafa de água na mão mais uns minutos até encontrar um caixote de lixo. Somos aqueles que compactua com a venda de espécies exóticas nas lojas dos animais "porque são fofinhos". Somos aqueles que achamos bonito os transportes públicos mas queremos ambos ter o nosso carrinho. Somos aqueles que olhamos para os nórdicos e queremos ser iguais mas com esforço minimo. Enquanto não mudarmos as nossas atitudes perante o que nos rodeia, enquanto não nos esforçamos por aquilo QUE È NOSSO, não chegaremos a lado nenhum, e vamos ser sempre uns submissos.

 

Acabo esta carta, Sr. Presidente, a pedir que coloque a mão na consciência. Herdou um país quebrado pela crise e pelos anos de mau comportamento dos seus governantes e dos seus habitantes. O país que está nas suas mãos já era assim antes de si, mas quer que continue assim? A economia verde existe, e a verdade é que o bem estar da população traz riqueza ao país que pode não significar imediatamente em lucro para o país, mas a felicidade não é de ouro? Um país bem tratado, não é diamante? 

Envio os meus sentimentos e toda a minha força para todos os que se encontram a debater o incêndio em Pedrogão Grande, sejam vitimas, operacionais, voluntários e familiares que agora têm viver e lidar com a perda de alguém.Mas a esperança é a ultima a morrer, e há sempre uma luz algures.

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Sinceramente,

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Aventuras no Hospital e o padrão da hora e meia

Este fim de semana, se tivesse o planeado não corria tão bem como seria esperado. Claro, estou a ser irónica. Por onde começar? Pelo inicio.

 

Depois de uma quinta rude, chegou uma manhã da sexta que começou com um termómetro debaixo do braço esquerdo e uma chamada para o meu coordenador do estágio da formação a dizer " Estive mal a noite toda, e estou mal, tenho que ir ao hospital logo, não vou puder ir ". A minha preocupação para além de eu estar mal era anda a contaminar tudo (acreditem estava altamente virulenta, infectei algumas pessoas). Fui ao hospital mais porque queria algo para as cólicas que eram muito fortes. E foi mesmo esta razão que estragou tudo.

A sexta passou sem o sossego que eu tanto queria. E chegou o sábado, em que apesar de fraca, e extremamente enjoada, lá consegui sair de casa, passear, ainda fiz uns pães e umas bolachas -  tudo sem glúten - e estava eu a jogar Borderlands 2 à noite, quando comecei a sentir-me esquesita. Primeiro tenho de mencionar que de manhã, tinha tido um ataque de tosse enorme devido a uma comichão na garganta. Estava então eu muito bem a jogar, e a coçar o olho e  o pulso direito. Mas à primeira nem liguei. Como faço alergia ao pó, e ácaros, é normal de repente ter uma comichão ou uma tosse ali. Até que parei de jogar e ainda não tinha parado de coçar o olho e tinha pulso horrivelmente vermelho e cheio de borbulhas. Até que olho para o pulso esquerdo, e mais borbulhas tinha. Fui ao WC, colocar um pouco de água no pulso, e vejo que tenho as virilhas completamente empuladas e vermelhas. Começo a olhar bem para as pernas e tinha borbulhas pelas pernas. Tudo isto em hora e meia

Ainda que um pouco assustada, deixei passar: podia ter sido algo que comi. No entanto o nível da coisa ia aumentando, e começou a passar para a barriga, e a garganta começou a ficar comichosa de novo, e a tosse a vir. Aí alarmei: já tinha ouvido falar muitas vezes de crises alérgicas para reconhecer uma. No entanto todos me diziam isso não é nada. Fui ler o boletim informativo do medicamento que me tinham dado no hospital e lá estava: muito raro mas era um efeito secundário erupções cutâneas, dificuldade em respirar e comichão, e nesse caso procurar imediatamente ajuda médica. 

Minha reacção foi logo Linha Saúde 24 (deixo já a dica se nunca usaram o serviço é um óptimo serviço de ajuda para diagnóstico, ajuda em dúvidas de medicamentos que tenham dúvida; e mandaram logo o meu episódio para o hospital mais perto de mim). A senhora que fez a entrevista muito rápido, disse logo "tem que ser vista por um médico num prazo de 4 horas" ( e diziam-me que não era nada...).

Fui eu para o hospital de Viana quando preferia ir para o de Esposende, mas a saúde 24 não me encontrava esse no sistema com urgência. Chego à triagem, as borbulhas tinham desaparecido um pouco mas tinha e continuava a respirar mal. O senhor enfermeiro dá me a pulseira verde. Juntando isso, a uma médica que não irá morrer de problemas de stress pela rapidez em demasia, a alguns amarelos e urgências que iam chegando, estive mais de hora e meia até ser atendida. Enquanto isso fiquei com o corpo cheio de manchas, todas empuladas, e já estava a respirar mesmo mal, até já tinha o nariz entupido. 

Finalmente fui atendida, levei dois injetáveis, um no rabo que parecia vidro na carne, e mais uma nebulização. Quando sai, estava lá um bebé de 20 dias, para a urgência de pediatria que não tinha ninguém que estava lá à espera à hora e meia. Saí e casa para descansar, levantar no dia seguinte para começar o tratamento e ir votar. E aí, a 2 metros de mim, um acidente em cadeia, cuja reacção foi " Objetos a voar, ainda vem algo para o meu lado, oh não, vou outra vez para o hospital". Vá foi só o susto!

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Viram o padrão da hora e meia ao longo da história? :P 

Espero mesmo que, o vosso fim de semana tenha sido bem melhor que o meu.

 

Sinceramente,

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O que se passa pela minha cabeça #1

Ultimamente, tenho andado neste debate na minha cabeça. Nem é bem um debate, porque no final acaba sempre na mesma forma: é um confronto eu ter tanto para dar e gostar e não haver uma simples opurtunidade para conseguir trabalhar na minha área! Eu sei que há prioridades na falta de dinheiro, mas carambas, quando há dinheiro para salvar bancos a torto e a direito, que o último governo não quis saber dos sinais de alerta ( ou quiseram mas simplesmente ignoraram) porque raio não é possível aumentar o investimento na investigação, que aumenta não so o PIB mas como também o conhecimento e potencial aplicação nas áreas que nos são vitais?

 

É um conflito para mim porque, eu sei que a investigação é um trabalho precário: é passar o resto da vida sem segurança. Não se pode fazer planos a médio prazo, porque não se sabe se daqui a meses não vai ser renovada a bolsa, se vai haver investimento ou não. O tempo em que se tirava um curso universitário e era doutoramento e emprego na Univerisidade garantido acabou. Mas eu não pedia isso, eu só pedia um trabalho na área. 

 

A biologia/ecologia não me define. Não, mas ajuda na definição. Faz parte de mim, é o que eu gosto, é o que me dá prazer fazer. Sinto saudades do cheiro de um laboratório (até saudades de vestir as malditas batas), de pegar em artigos e ler, e anotar a informação que me fará falta para comparações, ou para um protocolo. Tenho saudades de olhar para números e brincar com eles. Tenho saudades... Tenho pena. É triste.

 

Mas terei que aceitar que é uma parte de mim que vai ficar para trás. Se já não é fácil para quem tem experiência, quanto mais quem não tem e há dois não exerce? É um país triste..... Em que eu não sou a favor, não, exerço o meu direito de voto, mas não me admiro com as percentagens de abstinência. As escolhas nunca são melhores, nunca fazem diferença.

 

Eu é que tenho de aceitar a diferença entre o que a minha cabeça quer, e o que a realidade me dá.

 

Sinceramente,

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Sou a Sofia Gonçalves, curiosa sem fim, 28 anos com muitas coisas que quero fazer. Ou estou no ginásio, ou na praia, ou em casa a ler um bom livro, ou a tratar das minhas plantas e animais. O “The Daily Miacis” é um reflexo meu.

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