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The Daily Miacis

O que tenho lido #17 +365 dias com Poirot e Marple

 

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Vamos na terceira review seguida de livros deste desafio, tenho me atrasado um pouco nas outras. Quando me lancei neste desafio, supunha que algures iria ter uma fase desta, pois o tempo não é muito e com o curso de pintura ao sábado ainda perco mais uma tarde livre, e admito, a Netflix é um objeto pecaminoso (entre as várias coisas que tenho visto, estou a ver o Star Trek Next Generation). Mas com vontade e alguma organização tudo se arranja.

 

Da lista de livros que temos este ano, é o primeiro livro por ordem cronológica de lançamento, que aparece a Miss Marple, uma velhota com uma mente bastante aguçada. Enquanto que nas aventuras de Poirot ele é a personagem principal sem dúvida nenhuma, mesmo o narrador sendo outra personagem, aqui a Miss Marple mesmo resolvendo o enigma do crime, parece mais uma personagem secundária, mais uma cabeça para preencher o fundo. Aliás, até meados do livro quase que nem vemos a nossa velhota favorita. 

 

A narrativa é num dos meus cenários favoritos: uma pequena aldeia inglesa, em que o efetivo populacional é baixo mas é igualmente preenchido em falatório e intriga, e têm todos uma excelente memória principalmente quando se trata de relatar o que os outros fazem da sua vida. O narrador nesta aventura é um vicário, bastante querido por toda a população de St Mary Mead, o Clement, que vê a sua vida pacata transtornada quando ocorre um crime na sua própria casa, do Coronel Protheoroe, que por sua vez não era muito querido nessa pequena aldeia. Deduzimos logo que haviam vários suspeitos. Desde falsos telefonemas, a pessoas estranhas que foram viver há pouco tempo para a aldeia pacata, a falsificadores, várias cartas de velhotas solitárias, Clement, e os investigadores Melchett e Slack, embrenham-se cada vez mais num enigma que têm dificuldade em resolver, e que no final, embora com alguma má vontade de Slack, Marple resolve. 

 

Gosto deste tipo de história nas aldeias. Embora tenha adorado "Os quatro grandes" por nos ser descrita uma história com um paradigma diferente do usual para Agatha Christie e exatamente por não termos sempre as mesmas caras ao longo da histórias, a verdade é que uma aldeia recheada de pessoas cada uma com a sua personalidade bem limada, é delicioso. Gosto de todos os papéis: das velhotas que são o sistema de informação, dos coronéis e ladys que são a economia e revista cor de rosa do local, até à mulher charmosa, e o médico com conversas profundas, todos criam um cenário em que a dinâmica final é tão caricata e funciona perfeitamente num crime policial. Umas das minhas cenas favoritas é a primeira em que aparece a Miss Marple, num tipico chá das cinco entre velhotas beatas com a mulher do vigário. Miss Marple, tal como Poirot, é nos apresentado pelas outras personagens como uma pessoa nada querida pelos outros, pois temos sempre tendência a não gostar de quem está sempre certo. Gosto deste aspeto trabalhabado pela autora.

 

Como no primeiro livro de Poirot, aqui a fórmula da resolução do verdadeiro criminoso é semelhante, em que dos primeiros suspeitos, temos o suspeito oficial, que acaba por se declarar culpado por meios de uma armadilha. Não minto que fico frustada porque temos tantas pistas ao longo do livro, passamos por tantos suspeitos e acabamos por criar o nosso próprio suspeito e no final era aquele que descartamos logo no inicio. Mas se também fosse assim tão previsivel não era tão engraçado certo?

 

Ao longo deste livro temos algumas frases maravilhosas, em que a minha favorita é quando Haydock, o médico local, profetiza que no futuro não haverá criminosos porque nós vamos curar essa doença. De facto ele lança um debate interessante porque enquando o vicário acha que é uma doença de espirito, o médico diz que é uma doença fisica porque é tudo uma questão de hormonas. Com os estudos atuais sabemos que é verdade que em muitos estudos mostra que verdadeiros criminosos tem várias alterações. Contudo mesmo sendo uma questão fisica até que ponto isso não influencia a questão espiritual? Não está tudo interligado?

 

A próxima leitura, voltar a ter como estrela Poirot, "Perigo na casa do fundo" que voltar a ser uma re-leitura mas que como neste último livro, não me lembro nada. 

 

1 de Janeiro de 2018 “ O Misterioso Caso de Styl

 

 

 Sinceramente,

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O que tenho lido #16 + 365 dias com Poirot e Marple

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Vamos ao segundo dia seguido de review de livros de Agatha Christie. Hoje falo de " O mistério do Comboio azul", em que o Poirot volta a resolver um homícido aparentemente simples.

 

Resumo:

Ruth recebe do pai, um milionário americano, uma extraordinária jóia que encerra “um rasto de tragédia e violência”. Embora seja avisada de que não deve transportá-la para fora do país, Ruth decide levá-la consigo quando parte para Nice a bordo do famoso Comboio Azul. A notícia do seu assassinato será para todos um imenso choque… e mais um desafio para Hercule Poirot.

 

Penso que até agora foi o livro em que vi mais vezes o Poirot afirmar que é o melhor. De facto mostra que mesmo sendo um herói afável, cavalheiro, que no final sempre resolve tudo não deixa de ter defeitos: a humildade caia lhe bem. Mas não vamos tirar os louros a quem o devemos, porque de facto Poirot consegue resolver tudo com uma sagacidade sem fim.

 

Mais uma vez o crime vai ter com Poirot enquanto este tenta aproveitar a vida. A filha de um milionário americano é morta durante uma viagem de comboio num crime cuja razão não sendo passional, é talvez dos planos mais complexos até agora demonstrados nos livros de Agatha Christie. 

 

O que começa com uma história que não tem ligação à história principal, e que no fundo nunca tem, acaba com uma resolução sem muita explicação. Honestamente prefiro as reuniões tipicas finais do Poirot em que senta todos e começa a desenrolar todos os factos e trazer o mistério à luz do dia, que fins como este em que ele encena uma viagem altamente dispensável, e que tem momentos sem explicação. Se todos criticaram "Os quatro grande" penso que de facto este é o pior de Agatha Christie. como ela achava ser. De facto Poirot aqui só se exibe, em várias parte deduz sem grandes factos e só se safa por causa da grande sorte que costuma ter. 

 

Penso que o que torna este livro marcante é por causa da personagem da história paralela, que é a dama necessária nestas histórias. O carisma que ela tem, cria em nós empatia por ela mesmo que não tenha importância para a história principal e nem é importante na resolução do crime. Penso que Agatha Christie tentou criar aqui um confidente feminino para Poirot. Mas uma vez que era uma personagem cuja caracteristica principal era ser muita reservada eram quase sempre monólogos.

 

A parte mais inteligente deste livro, que era a complexidade do crime pois tem algumas reviravoltas, foi dita de forma tão superficial, que acaba por perder um pouco o impacto. Por isso não gostei muito deste livro de Agatha Christie.

 

Esta semana começa o seguinte livro "Crime no Vicariato", o primeiro desta listagem com Miss Marple. Para mim é uma releitura, mas não me lembro bem da resolução do crime por isso vai ser uma novidade de certa forma. 

1 de Janeiro de 2018 “ O Misterioso Caso de Styl

 

Sinceramente,

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O que tenho lido #15 + 365 dias com Poirot e Marple

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Não sei como esqueci-me na planificação  do blog de publicar a review do quarto livro do desafio 365 dias de Poirot e Marple. Logo este livro que apesar das criticas em geral ao livro, gostei bastante.

 

Resumo:

Um desconhecido faz uma visita inesperada a Poirot. A mensagem que então lhe transmite é assustadora e dá conta de uma mortífera rede internacional de crime organizado. Ludibriado por uma falsa missão, o detective é afastado do teatro de operações num momento decisivo. Sem se deixar desencorajar, e decidido a levar a investigação até às últimas consequências, dá por si mergulhado no mundo da intriga internacional, arriscando a própria vida para descobrir a verdade sobre Os Quatro Grandes. Surpreendentemente, vai ser Achille Poirot, o extravagante irmão gémeo do detective, a desempenhar um papel fundamental na solução do caso.

 

Várias criticas a este livro consideram que é um livro mal escrito, que os acontecimentos são "tontos" e é ridiculo pensar o Poirot combater uma organização mundial. Não considero que estejam de todo correto. Sim de facto tem alguns acontecimentos que acontecem rapidamente do nada, mas isso também acontece muitas das vezes nas outras histórias em que o Poirot tira uma conclusão de algo através de um facto que só ele soube até nos ser apresentado naquele momento como uma irmã escondida, etc. Dos vários pontos apresentados acerca deste livro é que de facto o final aparece um pouco abrupto. A história deste livro desenvolve-se ao longo de vários meses, temos uma acção muito lenta desde vários crimes e outros acontecimentos sem muita ligação tirando o facto de estarem ligado aos quatro grandes.  São vários capítulos sem nada acontecer de muito importante, e mesmo quando acontece não ficamos com muita informação, até que chegamos ao final e temos um final muito teatral. 

 

Contudo eu gostei bastante da aproximação deste livro porque deixamos de ter o Poirot sempre confinado a um homicidio e a navegar pelas caras conhecidas da história. Passamos a explorar vários zonas desconhecidas para esta personagem e sempre diferentes, temos intriga, suspense, mistério. Gosto mesmo do facto de parecer um Poirot 007.

 

O narrador neste livro volta a ser Hastings, que regressa da Argentina para estar uns dois meses com Poirot, mas que se transformam em quase um ano. E como sempre Poirot está um pensamento à frente dele, e é algo que eu não gostei deste livro, mais que o final. Usar Hastings como um isco mais que uma vez faz parecer aquela personagem nem como um sidekick, mas como alguém dispensável embora Poirot diga o contrário.

 

Concluindo, no geral gostei, é uma abordagem diferente, em que vários crimes estão relacionados com uma causa superior, e o facto de o melhor detective do mundo que é Poirot conseguir desvendar numa aventura que o colocou em perigo de vida, é interessante.

 

Sinceramente

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O que tenho lido #12 + 365 dias com Poirot e Marple

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A terceira leitura deste desafio já está completa.  Vou confessar: estava muito empolgada para este livro pois vi várias criticas a dizer que este era o melhor livro da leitora. Não é mau, contudo não o considero muito diferente a ponto de dizer que é o melhor.

 

Resumo:

"Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenara o primeiro marido, um homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vítima de chantagem. Agora, que as trágicas notícias sobre a morte dela apontam para suicídio por overdose, são muitas as perguntas que parecem não ter resposta. 
O perplexo Ackroyd decide investigar, uma decisão que tem consequências inesperadas. Ao deparar-se com as primeiras pistas sobre o caso, Ackroyd transforma-se no novo alvo do criminoso.
O Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala então com o vizinho, um detetive reformado que escolhera o campo para passar tranquilamente os seus últimos anos de vida. A escolha não podia ser mais acertada pois o pacato vizinho é nem mais nem menos que o formidável Hercule Poirot..."

 

Como sempre gostei do tipo de narrador. Não sei porquê, tem um toque de elegância e mistério ver a personagem principal descrita pelos olhos de uma terceira. E, neste livro, temos uma mudança porque em vez de ser o amigo de Poirot, Hastings, é uma das personagens do enredo específico deste livro, Dr. Sheppard. Temos uma apresentação do Poirot como um desconhecido numa aldeia tipicamente inglesa em que todos falam da vida de todos, e temos descrições da vida daquela personagem que tinha ligação com todos os suspeitos inclusive uma grande amizade com a vitima. É nos apresentado interacções entre personagens não inteiramente ligadas à investigação per se como acontecia sobre o ponto de vista de Hastings, como por exemplo pequenas cenas entre o Dr Sheppard e a sua irmã, que achei uma personagem muito curiosa e engraçada, uma boa adição a este enredo.

 

Relativamente à premissa inicial, em que não considero este das melhores obras, mesmo tendo em conta o desfecho que sim, apanhou-me muito desprevinida, é porque a fórmula é sempre um pouco de mais o mesmo de Agatha Christie. Vou reformular melhor: eu gosto deste tipo de formúla porque gosto daqueles pequenos detalhes das pequenas acções do dia a dia e de pequenas conversas, em que conseguimos (ou tentamos) encontrar pequenas pontas. Contudo, ao final de algum tempo é sempre demais o mesmo, em que perdemos a conta porque são tantas personagens com tantas razões, e já para não falar, que o ritmo deste livro chega a ser um pouco monótono ao final de algum tempo, O impacto do final, penso que seria o mesmo com o ritmo da acção mais rápido. 

 

Embora seja demasiado irritante o Poirot ser sempre o salvador do dia, admito que ele é uma personagem que nos conquista com as suas pequenas manias. Fico com um sorriso no rosto sempre que ele aparece, e não consigo deixar de imaginar que ele é o David Suchet (sim porque simplesmente o Poirot  do filme " Um crime no expresso do Oriente" não é Poirot e aquele bigode é muito excêntrico).

 

O criminoso deste livro surpreendeu me bastante, contudo, não gostei da atitude do Poirot no desfecho do crime, principalmente a razão que ele dá.

Prontos para o próximo livro? Quem vai ler?

 

1 de Janeiro de 2018 “ O Misterioso Caso de Styl

Sinceramente,

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BLOGGER
Sou a Sofia Gonçalves. 29 anos. Curiosa sem fim, exploradora de livros, advogada de boa comida, gestora de estados ansioliticos, caçadora de sonhos, escriba escrava da palavras da minha cabeça, pajem dos meus animais.

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