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The Daily Miacis

O que tenho lido #10

 

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As votações do Clube dos Clássicos Vivos, para os meses de Novembro-Dezembro elegeram o clássico " A Ilustre casa de Ramires". Decidi que ia participar nas leituras desse mês, porque tenho em mente há vários meses que devia ler mais clássicos portugueses, pois verdade seja dita, ler clássicos estrangeiros e não conhecer os do meu país, faz me sentir um pouco inculta. Contudo, não são livros que me chamem muito a atenção, à primeira vista. Por isso, sabia, que tendo em vista a leitura em conjunto ia me sentir mais pressionada por assim dizer, a acabar-la.E consegui! Demorei 2 meses para ler mas li!

 

Conclusão: não gostei lá muito do livro, mas li. Vamos ver porquê.

 

" A ilustre casa de Ramires"  é uma critica social. Fala de Gonçalo, cuja familia Ramires é anterior ao próprio Portugal como reinado. Gonçalo, fidalgo a viver num mundo rural, embarca na aventura de escrever uma novela para um jornal acerca de uns antecedores da familia dele que enalteceram a história de Portugal. Simultaneamente, surge a oportunidade de enveredar no campo político, algo que lhe daria um  degrau para se comparar com os seus antecedores. Com todas as personagens que o rodeiam, enveredamos nesta missão do Gonçalo de continuar a missão dos antepassados e contribuir para a história de Portugal. 

 

Este livro póstumo de Eça de Queirós, tem uma caricactura da sociedade que atuava no final da monarquia em Portugal detalhada. Talvez seja por isso que eu não encarei com a personagem principal nem com a maior parte de todas as histórias. Aquela sociedade alta, cujos interesses eram supérfluos ou então banais, entediava-me. A própria narrativa era simples (embora com uma linguagem um pouco complexa porque havia palavras que eu nunca tinha visto e tinha que rever todo o sentido da frase) e nalguns casos um pouco demorada e confusa. Ao longo do livro temos passagens, um pouco sem aviso, da narrativa da vida de Gonçalo para a novela que ele proprio estava a escrever. Tinhamos páginas com histórias não muito ligas à narrativa principal.

 

A narrativa na maior parte da história é lenta. Temos descrições do dia a dia do Gonçalo no mundo rural que, arrastam a narrativa. São pontos importantes é certo, até mais não seja pela própria critica social, mas tornavam o avançar da história muito lento. Até ao final: quando chegamos ao último capítulo a velocidade da história que tinha ficado no auge mas ainda sem o desfecho final, aumenta. Sabemos o desfecho da vida do Gonçalo pelo narrador e por conversas das outras personagens, até que temos um discurso de uma das personagens que rodeavam o dia a dia do Ramires, em que compara o feitio de Gonçalo com o próprio Portugal. 

 

Como personagem principal, Gonçalo aborreceu-me. Achei o insípido, e um vira-casacas, perdoem-me a expressão. Facilmente trocava de motivo, ou de opinião sobre determinada pessoa. Facilmente acreditava numa história e fazia todo um cenário à volta disso. Não gostei, como alguém que devia ser nobre e sábio, achei que era facilmente convertido e interesseiro, como quando ele afinal pensa em aceitar falar com André para as questões de politica e facilmente fica amigo dele como se nada passase. Contudo talvez seja essa a mensagem, se de facto Gonçalo encarna o espirito de Portugal. 

 

Foi o meu primeiro Eça de Queirós, porque eu não li "Os Maias" na escola. Custou me ler nalgumas partes por isso demorei, mas li. Agora tenho um livro dele "O mistério da estrada de Sintra" escrito em conjunto com Ramalho Ortigão, que diz ser o primeiro policial português. Uma vez que este ano estou com o desafio 365 dias com Poirot e Marple, com espiritio policial, penso que será um bom enquadramento. 

 

Sinceramente,

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Sou a Sofia Gonçalves. 29 anos. Curiosa sem fim, exploradora de livros, advogada de boa comida, gestora de estados ansioliticos, caçadora de sonhos, escriba escrava da palavras da minha cabeça, pajem dos meus animais.

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