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The Daily Miacis

Um fim-de-semana na Casa Andersen

Este passado fim-de-semana, como já tinha dito, fui a um Workshop de "Ilustração Científica" no Jardim Botânico do Porto, na Casa Andersen. Antes demais, para quem já não vai lá há uns 4 anos (como era o meu caso que só ia quando tinha lá aulas), vão de novo. Está muito lindo, o jardim continua lindíssimo, muito bem tratado, penso que ainda está melhor do que estava, e a Casa para quem lá andou, não a vai reconhecer. E a Exposição do Darwin não consegui ver, só passava por uma sala da exposição mas foi o suficiente para me ter colocado o bichinho para ir lá ver.

Voltando à Ilustração. Os nosso professores, foram Filipe Franco e Catarina França. Nomes que nunca tinha ouvido falar, mas por ignorância minha porque são uns "senhores". Ambos, com  formação base nas artes, mas como disse o Filipe e muito verdade " As pessoas das ciências, não sei porquê mas talvez porque é uma área em que têm se de estar muito concentrado e fechado, têm sempre um pézinho nas artes: desenho, música, qualquer coisa, talvez como um refugo, mas a verdade é que têm; como muitos de artes que têm um pézinho na ciência". Ele, actualmente é professor do Mestrado em Ilustração Cientifica em Lisboa, com Pedro Salgado, e estuda as possibilidades de aplicação de desenho  e escultura á identificação humana na Antropologia Forense. Ela, actualmente Ilustradora Cientifica e Ilustradora Infantil, já fez imensos trabalho para vários livros infantis,e imensos trabalhos para a National Geographic entre outros. Mas acreditam, vocês esquecem tudo isto, quando vêm os trabalhos deles. Não há palavras. Peguei naqueles cadernos uma quantas vezes, muitas delas com vontade de pegar neles e fugir para ficar horas a olhar para os desenhos ( que também como diziam eles " É a ver os trabalhos dos outros que aprendemos muitos, ver como fazem, como ficam").

Foi um Workshop, que embora foi tudo muito condensado - um dia e meio para ver um pouco de tudo e aplicar é pouquíssimo - mas que correu muito fluido, tudo numa boa onda. Várias técnicas pela qual vimos: grafite, tinta da china, aguarela, e outros. Eles tiveram sempre muito o cuidado de ver o que a gente queria fazer, se mais parte histórica da Ilustração, se queríamos ver técnicas, imensos livros para vermos, os cadernos de campo da Catarina, os trabalhos do Filipe, o material de desenho que vimos que eu nem sabia que existia (atenção: há borrachas apagadoras eléctricas, parece que estamos a lavar os dentes), aqueles truques básicos de desenhos que dão um toque final muito bom e necessário mas que ninguém repara. E uma coisa que ali havia: era a falta de pressão. Sempre tudo muito relaxado. E, sim, para quem diz que não tem jeito para desenhar, aqui vai uma frase que anima muito, pelo professor Filipe " Não há ninguém com falta de jeito para desenhar. Muito gente vira-se para o pessoal de artes : ah que jeitosinhos. Jeitosos nada. Nada pode existir sem treino. Claro que há pessoal, que nasce com alguma sorte já, mas eles próprios nunca ficam bons senão treinam." E é verdade. E um dos exercícios, que me propus a fazer, e espero conseguir, é todos os dias desenhar qualquer coisa, seja o que for: o lápis, o porta lápis, a almofada, seja o que for que dê para desenhar, é bom porque não perdemos a mão.

E, agora vem assim um pouco de história mas que eu não conhecia e penso que é engraçado. No século XVIII, em pleno reinado da D.Maria I, foram levadas a cabo as expedições filosóficas portuguesas, com o intuito de fazer um estudo e levantamento do potencial faunístico e florístico do Brazil, Angola, Moçambique, Goa e Cabo Verde,Cabo da Boa Esperança,Melinde,e Calicute. Domingos Vandelli, um italiano,  que desenhava e criava jardins, foi convidado a vir para Portugal para criar o Jardim Botânico da Ajuda. Foi Pombal que o mandou vir para Portugal, não só pelo Jardim, mas para preparar os ilustradores para as viagens filosóficas. Foi aí que se criou a "Casa do Risco" (risco de desenhar e não de ser aventureiro). Esta casa, que manteve-se até há uns anos atrás mas já fechou, como muita coisa no Palácio da Ajuda, era uma escola que ensinava a desenhar com rigor ilustrações científicas. Muitos dos trabalhos de Vandelli andam espalhados por Portugal, nomeadamente alguns na Casa Andersen na Exposição do Darwin, mas muitos estão em França que foi o espólio que ele levou aquando as Invasões Francesas, das quais ele tomou partido  pela França e foi "convidado" a sair de Portugal, e portanto, ir para França.

Mas, agora recentemente, resolveram fazer uma reprodução dessas mesmas viagens. E portanto, os nossos Professores fizeram a viagem á Amazónia. Histórias muito engraçadas. Um grupo de 24 julgo eu, e daí 20 eram desenhadores. Os cadernos de campo da Catarina, tinha lá imagens lindissimas. E até ponho aqui um video  que julgo que não é o mesmo que vimos lá, mas está próximo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=bqVsOlaXmvg;rel=0&w=425&h=350]

E para quem quiser saber mais sobre o grupo de risco é só ir a este link,

http://www.grupo-do-risco.pt/fichas/DossierGrupodoRisco.pdf

E, agora um pequeno aparte, na visita guiada que tivemos ao Jardim Botânico, num dos lagos, vimos  um tritão, e trouxeram para desenhar um licranço e uma salamandra que por acaso não tem foto, mas aqui vão duas.

PS: Parabéns Prima Ana, muito orgulhosa da Pianista da familia :D

Até á próxima!

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Sou a Sofia Gonçalves. 29 anos. Curiosa sem fim, exploradora de livros, advogada de boa comida, gestora de estados ansioliticos, caçadora de sonhos, escriba escrava da palavras da minha cabeça, pajem dos meus animais.

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